sábado, 10 de março de 2012

Know your true self

Insônia strikes back. Maldito sono, ai se eu te pego! (-Q)
Anyway, não consigo dormir. Já comi, tomei banho, joguei, levantei pesos, assisti seriado, jornal...
E nada. That mutafuckah continues to elude me. Portanto, escrevamos.

Em janeiro de 2010 um amigo me mostrou um jogo. Eu procurava somente algo pra matar o meu tédio nas férias. Achava que tendo zerado Prince of Persia, God of War, Devil May Cry, Metal Gear, Naruto, Dragon Ball e mais umas duzentas franquias de Playstation 2, não tinha mais muita coisa interessante pra ver no videogame. Não poderia estar mais errado.

Eu tenho uma memória péssima, como algumas pessoas podem apontar com clareza, mas me lembro do momento em que comecei a jogar Persona 4. Sentei na cadeira, liguei a TV, o videogame, poker face. "Nunca nem ouvi falar desse. Vamo ver o trailer." - Pensei.
"Caralho, em que caverna eu me escondi durante todo esse tempo, pra NUNCA ter ouvido falar desse jogo?"

Passei pela tela inicial correndo, mas demorei bastante pra escolher o nome do personagem. Pelo trailer o jogo impunha respeito, eu precisava de um nome foda. O problema é: Eu sou PÉSSIMO com nomes. Pois é.
Anyway, passando isso, uma tela preta e a legenda:

"Now sit back and enjoy the game."


Tão tá, né.

A esse ponto eu já tinha certeza. Eu não seria a mesma pessoa depois de terminar aquele jogo. E estava completamente certo. Como um bom livro, filme, seriado ou qualquer outra experiência que te engrandeça, Persona 4 te prende. Te faz esquecer o mundo ao seu redor. Te muda e, quando termina, você fica com aquela sensação de vazio, sentindo falta de como se sentia quando estava imerso naquela história densa e interessante.

E é justamente isso que eu acho genial. Com um jogo consegue ser tão cool e tão profundo ao mesmo tempo. Como a realidade é misturada à fantasia com maestria, fazendo-a parecer não tão fantástica assim. Como ele passa da investigação dos assassinatos e sequestros ao mundo dentro do coração da pessoas e o poder da amizade, da companhia. Sem forçar absolutamente nada. E como você tem de guiar e descobrir tudo isso.

Em Persona 4, o poder está com você. Como um bom RPG que se preze, você toma as decisões. E essas decisões afetarão não só você, mas todas as pessoas ao redor. Podem até mudar drasticamente o final do jogo. E pelo fato de ser jovem como o personagem que controlava, de enxergar muitas coisas do meu mundo no mundo dele (que creio que seja justamente o propósito da ATLUS), eu suava frio a cada resposta, a cada decisão tomada. Como se fosse na vida real mesmo. Claro, eu sempre poderia salvar antes de fazer qualquer coisa e confesso que fiz isso algumas vezes. Mas tira a graça da coisa, né. Na maioria do tempo, encarava aquele mundo como o mundo real e agia como costumo agir normalmente. Nem sempre funcionava. -Q

Mas o ponto é que, assim como Fullmetal Alchemist abriu os meus olhos pro mundo quando mais novo, Persona 4 agora abria-os pra alguém que até então costumava ignorar bastante: eu mesmo. O jogo já começa assim. "Pursue your true self"  é o seu lema. E as shadows, os inimigos que você enfrenta, não são nada mais do que sentimentos ruins formados nos corações das pessoas, sentimentos que elas escondem, se recusam a enfrentar e acabam azedando e se tornando mágoas, ressentimentos, limitações.

Sim, o mundo dentro do coração de alguém é mesmo uma bagunça, uma névoa que mal te deixa enxergar um palmo na sua frente. Sim, é difícil pra caralho enfrentar certas partes de nós mesmos, das quais temos medo, vergonha ou simplesmente achamos que não valem a pena.
Mas Persona 4 me ensinou que não adianta ficar escondendo, negando ou lutando contra isso. Só torna tudo ainda pior. Primeiro de tudo, temos de aceitar quem somos. TUDO o que somos. Qualidades, defeitos, hábitos, esdruxulices...

Fazer isso nos permite ficar em paz conosco. Fazer isso permite que nos completemos. E a partir daí, não fica tão difícil melhorar, evoluir. Essa é uma lição infinitamente mais fácil de ser falada do que levada à prática, mas é uma das mais importantes da minha vida. Uma que nunca esquecerei.

Então, nesta noite nublada de insônia extrema e muito ócio, eu agradeço a você, Persona 4. Por me ensinar algo que eu deveria ter nascido sabendo. Algo que, apesar de não ter sido esquecido, ficou em segundo plano na minha mente por tanto tempo que agora que eu penso sobre, me sinto uma pessoa completamente diferente. Algo que me torna melhor e dá a chance de melhorar mais ainda. Algo que dá conforto pra poder impulsionar o meu sono nesta noite em que ele me escapa.

E não é que acabou vindo mesmo?


"Search for your heart, pursue your true self."


E foi isso que Persona 4 me ensinou.
John's out.

2 comentários:

  1. Mano... tu escreve bem demais. '-'

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  2. São seus olhos. q
    E foi você quem me apresentou Persona 4.
    Eu agradeço bastante, esse fez diferença. (y)

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